quinta-feira, 22 de março de 2012

UM MONÓLOGO A VIDA




Imagine uma praça comum dessas numa grande cidade. Ela é pequena e com alguns bancos de concreto patrocinados por alguns dos comerciantes locais. Temos nela algumas árvores e por estarmos na primavera suas copas estão floridas e ao balançar do vento pétalas das mais variadas cores tecem um tapete colorido.
Em meio à praça uma figura, um homem, de terno e gravata. Mais há algo incomum nele. Seu rosto está pintado de branco e preto. Ele está andando para cá e para lá. Dá voltas e aos poucos as pessoas movidas por curiosidade se aproximam. O homem vai se dando conta que tem espectadores das mais variadas idades. Olharem atentos. Alguns críticos. Sussurros sobre o que seria. Enquanto o quadro se repete, o homem de terno e cara pintada senta-se e inclina a cabeça. Um Silêncio paira... Estaria ele chorando, se perguntam algumas crianças. Mamãe, o homem está passando mal, ouve-se em meio ao grupo a pergunta intrigada de um menino de cinco anos.
Em meio à borbulhos, a voz daquela figura bem vestida se ouviu:
“Sabe quando era criança me dei conta de alguns de meus gostos, comecei a observar que existiam muitas coisas à minha volta que se encaixavam perfeitamente a eles, como certos aromas. Quando viajava via paisagens que mexiam muito comigo, era exatamente o que eu faria se pudesse. As frutas... ah, existem frutas que se encaixavam perfeitamente ao que gosto. Assim como o tom azul amarelado do céu no pôr do Sol  a cada dia. O cheiro da terra molhada que anuncia que a chuva chegou. Tantas coisas que gosto que me dei conta de que tudo isso foi preparado por Alguém que sabia que eu viria. Tudo preparado para mim; não por que me julgo especial, mas por que Ele assim decidiu dar importância. Alguém viu minha importância! Alguém vira em mim um valor que eu não valorizei.
 Tudo isso me parecia claro como o branco da minha face. Contudo, à medida que fui crescendo deixei de valorizar a Ele e seus cuidados, pois queria atingir MEUS objetivos. MINHA vida. MEU dinheiro. MEUS bens. Meu...meus e minha... Entretanto, tudo do que eu mais gosto veio muito antes dos 'meus'. Ao deixar de valorizar os cuidados Dele para comigo, o lado negro dos 'meus' começou a me dominar. Deixei de disfrutar de tudo que Ele criou. Tudo por que O deixei pelos 'meus'. Como fui tonto, pois homem nenhum tem poder para criar, tudo o que processamos vem da matéria prima do que Ele criou para nós. Na busca dos ‘meus’ troquei o azul amarelado de cada dia, pelo cinza da desesperança. Enquanto corria  e me fechava nos ‘meus’ a seca da minha obstinação tirou todo o verde das paisagens que eu tanto admirava. As frutas perderam seu sabor, pois fui consumido pelo tempo que consomem àqueles que não tem tempo para Ele. 
 As minhas escolhas é o meu carrasco! E os ‘meus’ o juiz corrupto da minha vida! A terra do meu coração se secou, já não chove mais há anos nela. Não sinto o cheiro da alegria, da paz, do amor, apenas o aroma de morte... Eu sou a própria erosão no meu solo e o pecado de minhas escolhas o ‘ grande canyon’ da minha perdição. O meu egoísmo me afastou Dele, quando Ele só quis me dar tudo... Tudo me foi dado de graça, mas por não entende-lo taxei-O como religião; perdi tudo, inclusive minha vida, meu ar e minha esperança. Não importa se você é rico ou pobre, somos iguais na essência. Não importa se você é culto ou inculto, de roupas caras ou baratas; quando corremos somente para estabelecer os ‘meus’ nos tornamos a posse das futilidades e mais passageiros que o vil metal.
Mas Ele hoje decidiu limpar o lado negro de minha vida, sim, Jesus, decidiu limpar. Poderei outra vez disfrutar de tudo o que me dei conta nos primeiros anos de minha vida.
Hoje eu vejo vocês ai parados atônitos me ouvindo. E se cada um de vocês também não derem ouvidos a Jesus serão como eu sou e que estou deixando de ser. Pois por muito tempo estive assim como vocês apenas meros expectadores da vida olhando e ouvindo a poucos que procuram disfrutar dela em Jesus. Quantas vezes me disseram Jesus te ama, mais meus ouvidos ouviam apenas os ‘meus e minhas’.
Escolha um lado de minha face para viver.
De um lado podemos ver claramente tudo o que Ele, Jesus, preparou para nós, pois Ele é luz e não há escuridão alguma em suas intenções.
Do outro lado onde os ‘meus’ dominam, o negro sorrateiramente vai tirando o brilho de nossos olhos.
Mas hoje Ele irá limpar minha face e viverei! O negro será removido de minha vida.”
Naquele momento, crianças, jovens e velhos estavam em silêncio. Introspectos em si mesmos. Enquanto o homem começava a limpar sua face negra, um sorriso apareceu e um brilho se deu em seu olhar. Os expectadores deixaram suas posições e começaram a ajuda-lo. Gestos de carinho, lagrimas e brilhos nos olhares se viam entre os que ali estavam. Um a um queriam ajuda-lo.
Então uma pergunta ecoou alto entre as pessoas daquela roda: “Como posso limpar o negro dos meus pecados em meu coração? Como posso sentir outra vez a alegria? Onde encontro esse Jesus?”
A intensidade das emoções vieram a tona. Mais que um sorriso se viu no rosto borrado daquele homem bem vestido. Seu brilho no olhar deu lugar a lágrimas e gritou: "Jesus está aqui, tudo o que temos que fazer é pedir que entre em nosso coração como Senhor da nossa vida e Salvador de nossa alma e seremos limpos, alcançados e amados novamente. Então o azul amarelado do céu voltará. A chuva cairá com abundância de alegria, vida e paz. O aroma da vida surgirá. E as frutas voltarão a dar sabor aos nossos dias, pois voltaremos de onde jamais deveríamos sair: da presença do Pai.

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