“As palavras
de Neemias, filho de Hacalias: No mês de quisleu, no vigésimo ano, enquanto eu
estava na cidade de Susã, Hanani, um dos meus irmãos, veio de Judá com alguns
outros homens, e eu lhes perguntei acerca dos judeus que restaram, os sobreviventes do cativeiro, e também sobre
Jerusalém. E eles me responderam: "Aqueles que sobreviveram ao cativeiro e
estão lá na província, passam por grande sofrimento e humilhação. O muro de
Jerusalém foi derrubado, e suas portas foram destruídas pelo fogo". Quando
ouvi essas coisas, sentei-me e chorei. Passei dias lamentando, jejuando e
orando ao Deus dos céus.” (Neemias 1:1-4, NVI)
A Palavra de Deus nos chama para termos o mesmo sentimento (Fl. 2.5); o
mesmo pensamento (1 Co. 1.10b) e até a indignar-se diante do quadro da
realidade (At. 17.16). Não existe mudança em um casal, família, lar, rua,
bairro, cidade, estado, país e nação se não houver tal sentimento, pensamento e
indignação nutridos pela Verdade por meio do Espírito Santo.
Temos aqui uma pessoa, ainda que na condição de serviçal, copeiro do Rei,
se entristeceu muito pela noticia que o havia chegado: Jerusalém foi derrubada!
Não há mais portas, apenas as brechas (parafraseando).
Imagino Neemias cheio de sentimento de Deus por Jerusalém , movido pelos
pensamentos do Espírito, indignado pela situação, intercedendo a Deus por meio
do Sl 122:
Alegrei-me com os
que me disseram: "Vamos à casa do Senhor! "Nossos pés já se encontram
dentro de suas portas, ó Jerusalém! Jerusalém está construída como cidade
firmemente estabelecida. Para lá sobem as tribos do Senhor, para dar graças ao
Senhor, conforme o mandamento dado a Israel. Lá estão os tribunais de justiça,
os tribunais da casa real de Davi. Orem pela paz de Jerusalém: "Vivam em
segurança aqueles que te amam! Haja paz dentro dos teus muros e segurança nas
tuas cidadelas! " Em favor de meus irmãos e amigos, direi: "Paz seja
com você! " Em favor da casa do Senhor, nosso Deus, buscarei o seu bem.
Não vejo melhor frase - Em favor
da casa do Senhor, nosso Deus, buscarei o seu bem. – para explicar o que levou Neemias a interceder assim:
“Então eu disse: Senhor, Deus dos
céus, Deus grande e temível, fiel à aliança e misericordioso com os que o amam
e obedecem aos seus mandamentos, que os teus ouvidos estejam atentos e os teus
olhos estejam abertos para ouvir a oração que o teu servo está fazendo dia e
noite diante de ti em favor de teus
servos, o povo de Israel. Confesso os pecados que nós, os israelitas, temos
cometido contra ti. Sim, eu e o meu povo temos pecado contra ti. Agimos de
forma corrupta e vergonhosa contra ti. Não temos obedecido aos mandamentos, aos
decretos e às leis que deste ao teu servo Moisés. Lembra-te agora do que
disseste a Moisés, teu servo: "Se vocês forem infiéis, eu os espalharei
entre as nações, mas, se voltarem para mim, e obedecerem aos meus mandamentos e
os puserem em prática, mesmo que vocês estejam espalhados pelos lugares mais
distantes debaixo do céu, de lá eu os reunirei e os trarei para o lugar que
escolhi para estabelecer o meu nome". Estes são os teus servos, o teu
povo. Tu os resgataste com o teu grande poder e com o teu braço forte. Senhor,
que os teus ouvidos estejam atentos à oração deste teu servo e à oração dos
teus servos que têm prazer em temer o teu nome. Faze que hoje este teu servo
seja bem sucedido, concedendo-lhe a benevolência deste homem. Nessa época, eu
era o copeiro do rei.” (Ne 1.5-11)
Onde não há íntimos do coração do Senhor, não há como achar alguém que procure
o bem da casa do Senhor! Esses são sintomas da falta de intimidade.
Intercessão entre muitas coisas, é sair da presença do Senhor para
entrar de novo e clamar pelos motivos do Senhor: “Em favor da casa do Senhor, nosso Deus, buscarei o seu bem.”
A intercessão como função sacerdotal ou ministério é algo que se recebe,
se desenvolve e cresce por conhecer os sentimentos, pensamentos e, até, as
indignações do coração do Pai, afinal, “o
zelo pela tua casa me consumirá”
diz em Sl 69.9 e Jo 2.17.
É incoerente estar no esconderijo do Altíssimo
e não sentir o que ele sente! É inconsistente a verdade de que o Senhor é o meu
Pastor quando não compartilho dos seus pensamentos para com suas ovelhas. É um
fato o sintoma da falta de compaixão quando preferimos estar aquém do véu,
quando somos chamados para estar além dele.
A intercessão antes de ser taxada como um
ministérios para escolhidos, é uma pratica sacerdotal para todos que foram
feitos reis e sacerdotes; para todos quantos, estão debaixo, inseridos,
ajustados, enxertados, justificados, redimidos, salvos, perdoados e
co-participantes daquele que é o Sumo Sacerdote segundo a ordem de
Melquisedeque. Contudo, pergunto eu: porquê?
Conhecendo o Espírito de Cristo e a mansidão
em humildade com que Ele responderia, diria: “Eu lhes dei
o exemplo, para que vocês façam como lhes fiz.” (Jo 13:15) e “Portanto, sejam imitadores de Deus, como
filhos amados...” (Ef. 5:1).
Na nossa imperfeição, busquemos a perfeição
dos exemplos de Cristo!
As noticias que hoje nos chegam são as mesmas
que chegaram a Neemias de que a Jerusalém foi derrubada e suas portas são
apenas brechas. Hoje Jerusalém pode ser uma pessoa, uma família, um vizinho,
talvez até você mesmo diante de tantas culpas, acusações, necessidades em meio
a um problema, caos e desesperança. Neste caso, procure o apoio de um
intercessor. Sendo outro, pergunte-se: Sou um sacerdote? Sei como interceder?
Deus colocou pensamentos, sentimentos e
indignação a Neemias, mas a maior obra, foi como Deus conduziu a ele em todo o
processo de restauração por causa de sua intercessão. Sendo assim, Deus que não
faz acepção de pessoas, não faria o mesmo conosco? Certamente, já está fazendo!
Deixe o Espírito Santo te levar pelas avenidas
da intercessão! Deixe-se, como um manso de Deus, ser bem-aventurado no Reino do
Espírito.
É impossível, um envolvimento profundo com
Deus sem a prática da intercessão. Deus não se revela, profundamente, àqueles
que comem das migalhas da mesa, mas àqueles que, assentam-se à mesa como íntimos
do Pai. Jamais, haverá intimidade profunda e revelação gradual sem uma atitude
de intercessão em resposta às batidas do coração do Pai, sobre o fato explicito
de que “Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que não tenho prazer na morte do
ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva... todos os homens
se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.”
( Ez. 33.11 / 1 Tm 2.4)
Ser intercessor não é estar além do véu
apenas, é permanecer lá até que o Senhor Venha.
Maranata!

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